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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

A última Catequese do Papa Bento XVI em seu pontificado

Hoje será postado  a última catequese de nosso amado Papa Bento XVI, agora Papa Emerito. Durante este tempo em que Bento XVI ficou no comando de nossa Igreja ele se mostrou um homem sábio, fiel aos ensinamentos da Igreja e firme em suas decisões e posições tomadas perantes temas tão polêmicos. Em uma decisão de coragem e humildade ele renunciou ao cargo de chefe visível da Igreja mas com certeza continuará a orar por toda a humanidade a quem ele sempre demonstrou tanto amor.
 
 
 
Brasao_BentoXVI
Catequese
Praça São Pedro
Quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
 
 
Venerados irmãos no Episcopado e no Sacerdócio!
Ilustres Autoridades!
Queridos irmãos e irmãs!
Agradeço-vos por terem vindo em tão grande número para esta minha última Audiência geral.
Obrigado de coração! Estou realmente tocado! E vejo a Igreja viva! E penso que devemos também dizer um obrigado ao Criador pelo tempo belo que nos doa agora ainda no inverno.
Como o apóstolo Paulo no texto bíblico que ouvimos, também eu sinto no meu coração o dever de agradecer sobretudo a Deus, que guia e faz crescer a Igreja, que semeia a sua Palavra e assim alimenta a fé no seu Povo. Neste momento a minha alma se expande para abraçar toda a Igreja espalhada no mundo; e dou graças a Deus pelas “notícias” que nestes anos do ministério petrino pude receber sobre a fé no Senhor Jesus Cristo, e da caridade que circula realmente no Corpo da Igreja e o faz viver no amor, e da esperança que nos abre e nos orienta para a vida em plenitude, rumo à pátria do Céu.
Sinto levar todos na oração, um presente que é aquele de Deus, onde acolho em cada encontro, cada viagem, cada visita pastoral. Tudo e todos acolho na oração para confiá-los ao Senhor: para que tenhamos plena consciência da sua vontade, com toda sabedoria e inteligência espiritual, e para que possamos agir de maneira digna a Ele, ao seu amor, levando frutos em cada boa obra (cfr Col 1,9-10).
Neste momento, há em mim uma grande confiança, porque sei, todos nós sabemos, que a Palavra de verdade do Evangelho é a força da Igreja, é a sua vida. O Evangelho purifica e renova, traz frutos, onde quer que a comunidade de crentes o escuta e acolhe a graça de Deus na verdade e vive na caridade. Esta é a minha confiança, esta é a minha alegria.
Quando, em 19 de abril há quase oito anos, aceitei assumir o ministério petrino, tive a firme certeza que sempre me acompanhou: esta certeza da vida da Igreja, da Palavra de Deus. Naquele momento, como já expressei muitas vezes, as palavras que ressoaram no meu coração foram: Senhor, porque me pedes isto e o que me pede? É um peso grande este que me coloca sobre as costas, mas se Tu lo me pedes, sobre tua palavra lançarei as redes, seguro de que Tu me guiarás, mesmo com todas as minhas fraquezas. E oito anos depois posso dizer que o Senhor me guiou, esteve próximo a mim, pude perceber cotidianamente a sua presença. Foi uma parte do caminho da Igreja que teve momentos de alegria e de luz, mas também momentos não fáceis; senti-me como São Pedro com os Apóstolos na barca no mar da Galileia: o Senhor nos doou tantos dias de sol e de leve brisa, dias no qual a pesca foi abundante; houve momentos também nos quais as águas eram agitadas e o vento contrário, como em toda a história da Igreja, e o Senhor parecia dormir. Mas sempre soube que naquela barca está o Senhor e sempre soube que a barca da Igreja não é minha, não é nossa, mas é Sua. E o Senhor não a deixa afundar; é Ele que a conduz, certamente também através dos homens que escolheu, porque assim quis. Esta foi e é uma certeza, que nada pode ofuscá-la. E é por isto que hoje o meu coração está cheio de agradecimento a Deus porque não fez nunca faltar a toda a Igreja e também a mim o seu consolo, a sua luz, o seu amor.
Estamos no Ano da Fé, que desejei para reforçar propriamente a nossa fé em Deus em um contexto que parece colocá-Lo sempre mais em segundo plano. Gostaria de convidar todos a renovar a firme confiança no Senhor, a confiar-nos como crianças nos braços de Deus, certo de que aqueles braços nos sustentam sempre e são aquilo que nos permite caminhar a cada dia, mesmo no cansaço. Gostaria que cada um se sentisse amado por aquele Deus que doou o seu Filho por nós e que nos mostrou o seu amor sem limites. Gostaria que cada um sentisse a alegria de ser cristão. Em uma bela oração para recitar-se cotidianamente de manhã se diz: “Adoro-te, meu Deus, e te amo com todo o coração. Agradeço-te por ter me criado, feito cristão…”. Sim, somos contentes pelo dom da fé; é o bem mais precioso, que ninguém pode nos tirar! Agradeçamos ao Senhor por isto todos os dias, com a oração e com uma vida cristã coerente. Deus nos ama, mas espera que nós também o amemos!
Mas não é somente a Deus que quero agradecer neste momento. Um Papa não está sozinho na guia da barca de Pedro, mesmo que seja a sua primeira responsabilidade. Eu nunca me senti sozinho no levar a alegria e o peso do ministério petrino; o Senhor colocou tantas pessoas que, com generosidade e amor a Deus e à Igreja, ajudaram-me e foram próximas a mim. Antes de tudo vós, queridos Cardeais: a vossa sabedoria, os vossos conselhos, a vossa amizade foram preciosos para mim; os meus Colaboradores, a começar pelo meu Secretário de Estado que me acompanhou com fidelidade nestes anos; a Secretaria de Estado e toda a Cúria Romana, como também todos aqueles que, nos vários setores, prestaram o seu serviço à Santa Sé: são muitas faces que não aparecem, permanecem na sombra, mas propriamente no silêncio, na dedicação cotidiana, com espírito de fé e humildade foram para mim um apoio seguro e confiável. Um pensamento especial à Igreja de Roma, a minha Diocese! Não posso esquecer os Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio, as pessoas consagradas e todo o Povo de Deus: nas visitas pastorais, nos encontros, nas audiências, nas viagens, sempre percebi grande atenção e profundo afeto; mas também eu quis bem a todos e a cada um, sem distinções, com aquela caridade pastoral que é o coração de cada Pastor, sobretudo do Bispo de Roma, do Sucessor do Apóstolo Pedro. Em cada dia levei cada um de vós na oração, com o coração de pai.
Gostaria que a minha saudação e o meu agradecimento alcançasse todos: o coração de um Papa se expande ao mundo inteiro. E gostaria de expressar a minha gratidão ao Corpo diplomático junto à Santa Sé, que torna presente a grande família das Nações. Aqui penso também em todos aqueles que trabalham para uma boa comunicação, a quem agradeço pelo seu importante serviço.
Neste ponto gostaria de agradecer verdadeiramente de coração todas as numerosas pessoas em todo o mundo, que nas últimas semanas me enviaram sinais comoventes de atenção, de amizade e de oração. Sim, o Papa não está nunca sozinho, agora experimento isso mais uma vez de um modo tão grande que toca o coração. O Papa pertence a todos e tantas pessoas se sentem muito próximas a ele. É verdade que recebo cartas dos grandes do mundo – dos Chefes de Estado, dos Líderes religiosos, de representantes do mundo da cultura, etc. Mas recebo muitas cartas de pessoas simples que me escrevem simplesmente do seu coração e me fazem sentir o seu afeto, que nasce do estar junto com Cristo Jesus, na Igreja. Estas pessoas não me escrevem como se escreve, por exemplo, a um príncipe ou a um grande que não se conhece. Escrevem-me como irmãos e irmãs ou como filhos e filhas, com o sentido de uma ligação familiar muito afetuosa. Aqui pode se tocar com a mão o que é a Igreja – não uma organização, uma associação para fins religiosos ou humanitários, mas um corpo vivo, uma comunhão de irmãos e irmãs no Corpo de Jesus Cristo, que une todos nós. Experimentar a Igreja deste modo e poder quase tocar com as mãos a força da sua verdade e do seu amor é motivo de alegria, em um tempo no qual tantos falam do seu declínio. Mas vejamos como a Igreja é viva hoje!
Nestes últimos meses, senti que as minhas forças estavam diminuindo e pedi a Deus com insistência, na oração, para iluminar-me com a sua luz para fazer-me tomar a decisão mais justa não para o meu bem, mas para o bem da Igreja. Dei este passo na plena consciência da sua gravidade e também inovação, mas com profunda serenidade na alma. Amar a Igreja significa também ter coragem de fazer escolhas difíceis, sofrer, tendo sempre em vista o bem da Igreja e não de si próprio.
Aqui, permitam-me voltar mais uma vez a 19 de abril de 2005. A gravidade da decisão foi propriamente no fato de que daquele momento em diante eu estava empenhado sempre e para sempre no Senhor. Sempre – quem assume o ministério petrino já não tem mais privacidade alguma. Pertence sempre e totalmente a todos, a toda a Igreja. Sua vida vem, por assim dizer, totalmente privada da dimensão privada. Pude experimentar, e o experimento precisamente agora, que se recebe a própria vida quando a doa. Antes disse que muitas pessoas que amam o Senhor amam também o Sucessor de São Pedro e estão afeiçoadas a ele; que o Papa tem verdadeiramente irmãos e irmãs, filhos e filhas em todo o mundo, e que se sente seguro no abraço da vossa comunhão; porque não pertence mais a si mesmo, pertence a todos e todos pertencem a ele.
O “sempre” é também um “para sempre” – não há mais um retornar ao privado. A minha decisão de renunciar ao exercício ativo do ministério não revoga isto. Não retorno à vida privada, a uma vida de viagens, encontros, recepções, conferências, etc. Não abandono a cruz, mas estou de modo novo junto ao Senhor Crucificado. Não carrego mais o poder do ofício para o governo da Igreja, mas no serviço da oração estou, por assim dizer, no recinto de São Pedro. São Bento, cujo nome levo como Papa, será pra mim de grande exemplo nisto. Ele nos mostrou o caminho para uma vida que, ativa ou passiva, pertence totalmente à obra de Deus.
Agradeço a todos e a cada um também pelo respeito e pela compreensão com o qual me acolheram nesta decisão tão importante. Continuarei a acompanhar o caminho da Igreja com a oração e a reflexão, com aquela dedicação ao Senhor e à sua Esposa que busquei viver até agora a cada dia e que quero viver sempre. Peço-vos para lembrarem-se de mim diante de Deus e, sobretudo, para rezar pelo Cardeais, chamados a uma tarefa tão importante, e pelo novo Sucessor do Apóstolo Pedro: o Senhor o acompanhe com a sua luz e a força do seu Espírito.
Invoquemos a materna intercessão da Virgem Maria Mãe de Deus e da Igreja para que acompanhe cada um de nós e toda a comunidade eclesial; a ela nos confiemos, com profunda confiança.
Queridos amigos! Deus guia a sua Igreja, a apoia mesmo e sobretudo nos momentos difíceis. Não percamos nunca esta visão de fé, que é a única verdadeira visão do caminho da Igreja e do mundo. No nosso coração, no coração de cada um de vós, haja sempre a alegre certeza de que o Senhor está ao nosso lado, não nos abandona, está próximo a nós e nos acolhe com o seu amor. Obrigado!
 
 
 
 
BENTOXVI_assinatura

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Nota da CNBB sobre a renúncia do Papa Bento XVI

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nota  sobre o anúncio da renúncia do Papa Bento XVI feito na manhã de hoje.

Brasília, 11 de fevereiro de 2013
P. Nº 0052/13

“Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha Igreja” (Mt 16,18)
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB recebe com surpresa, como todo o mundo, o anúncio feito pelo Santo Padre Bento XVI de sua renúncia à Sé de Pedro, que ficará vacante a partir do dia 28 de fevereiro próximo. Acolhemos com amor filial as razões apresentadas por Sua Santidade, sinal de sua humildade e grandeza, que caracterizaram os oito anos de seu pontificado.
Logo brilhante, Bento XVI entrará para a história como o “Papa do amor” e o “Papa do Deus Pequeno”, que fez do Reino de Deus e da Igreja a razão de sua vida e de seu ministério. O curto período de seu pontificado foi suficiente para ajudar a Igreja a intensificar a busca da unidade dos cristãos e das religiões através de um eficaz diálogo ecumênico e inter-religioso, bem como para chamar a atenção do mundo para a necessidade de voltar-se ao Deus criador e Senhor da vida.
A CNBB é grata a Sua Santidade pelo carinho e apreço que sempre manifestou para com a Igreja no Brasil. A sua primeira visita intercontinental, feita ao nosso País em 2007, para inaugurar a V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, e, também, a escolha do Rio de Janeiro para sediar a Jornada Mundial da Juventude, no próximo mês de julho, são uma prova do quanto trazia no coração o povo brasileiro.
Agradecemos a Deus o dom do ministério de Sua Santidade Bento XVI a quem continuaremos unidos na comunhão fraterna, assegurando-lhe nossas preces.
Conclamamos a Igreja no Brasil a acompanhar com oração e serenidade o legítimo processo de eleição do sucessor de Bento XVI. Confiamos na assistência do Espírito Santo e na proteção de Nossa Senhora Aparecida, neste momento singular da vida da Igreja de Cristo.
Dom Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB
Dom José Belisário da Silva
Arcebispo de São Luís
Vice-presidente da CNBB
Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Trajetória do Papa Bento XVI

Joseph Ratzinger, o Papa Bento XVI, foi eleito em 19 de abril de 2005, após a morte do Papa João Paulo II, assumindo o posto mais alto da Igreja Católica aos 78 anos. Nesta segunda-feira (11), aos 85 anos, ele anunciou que vai renunciar no dia 28 de fevereiro de 2013.
 
papabento
 
Bento XVI nasceu em Marktl am Inn, município do estado da Bavária, na Alemanha, e cresceu durante o período em que o regime nazista ganhou força na região. Sua participação na Juventude de Hitler durante a adolescência gerou polêmica após sua eleição.Ratzinger tem extensa carreira como estudioso das doutrinas católicas, tendo lecionado sobre teologia e dogma em diversas universidades, principalmente na Alemanha.Ratzinger defende e reafirma a doutrina Católica, até mesmo lecionando sobre temas como controle de natalidade, homossexualidade e diálogo inter-religioso, todos de forma conservadora. Apesar do discurso de internacionalidade da Igreja, o novo Papa intensificou a rigidez moral.
Ratzinger é o oitavo Papa alemão. Considerado o braço direito de João Paulo II e com muitas opiniões semelhantes, ele era o favorito quando foi eleito devido a suas posições conservadoras, sua influência e trajetória na Igreja, seu conhecimento de idiomas e seus estudos, além de sua idade.Apesar de suas posições conservadoras, ele buscou se atualizar, aderindo ao Twitter em dezembro de 2012. Sua primeira mensagem na plataforma foi "Queridos amigos, me uno a vocês com alegria por meio do Twitter. Obrigado por sua generosa resposta, abençoo a todos de coração", em várias línguas.No domingo (10), ele postou a mensagem: “Devemos confiar no poder da misericórdia de Deus. Somos todos pecadores, mas Sua graça nos transforma e renova”. É o post mais recente no seu perfil no Twitter até a manhã desta segunda-feira (11).
 
Trajetória
Joseph Ratzinger nasceu no dia 16 de Abril de 1927, o mais novo de três irmãos, na diocese de Passau, e foi batizado no mesmo dia. Seu  pai vinha de uma família de agricultores e sua mãe, filha de artesãos, havia trabalhado como cozinheira antes do casamento. Seus primeiros anos de vida, até a adolescência, foram passados em Traunstein, perto da fronteira com a Áustria. Foi na região que o futuro Papa começou sua formação cristã e cultural.
O Papa entrou no seminário preparatório em 1939, mas não conseguiu evitar as consequências do nazismo. Ele chegou a ser membro da Juventude de Hitler na adolescência, quando fazer parte do grupo se tornou mandatório, em 1941.
 Em 1943, no fim da Segunda Guerra Mundial, Ratzinger e seus colegas de seminário foram convocados para os serviços auxiliares antiaéreos. Ele não chegou a participar das batalhas devido a uma infecção em um dos dedos, que não permitiu que ele aprendesse a atirar.
 O Papa chegou a ser dispensado, mas acabou convocado novamente e desertou em abril de 1945. Ele foi capturado por soldados americanos e mantido prisioneiro de guerra por alguns meses. Após ser libertado, no mesmo ano, Ratzinger voltou para o seminário na Universidade de Munique e foi ordenado padre em 29 de junho de 1951. Em 1953, ele obteve seu doutorado em teologia na mesma universidade, com a tese “Povo e Casa de Deus na doutrina da Igreja de Santo Agostinho”.
 Em 1957, foi aprovado na habilitação para ser professor e começou a lecionar teologia em Freising, em 1958. O Papa se tornou professor da Universidade de Bonn em 1959. Ele também foi professor da Universidade de Muenster, entre 1963 e 1966, e lecionou teologia dogmática na Universidade de Tübingen – de onde, após protestos de estudantes, saiu em 1969 e seguiu para a Universidade de Regensburg. Lá, ocupou o cargo de vice-reitor.
O último Papa também recebeu diversos títulos de doutor “honoris causa”: no College of St. Thomas em St. Paul, nos Estados Unidos; pela Universidade Católica de Eichstätt; pela Universidade Católica de Lima; pela Universidade Católica de Lublin; pela Universidade de Navarra; pela Livre Universidade Maria Santíssima Assunta, de Roma, em 1999; e pela Faculdade de Teologia da Universidade de Wroclaw.
Trajetória na Igreja Católica
Paralelamente aos trabalhos como professor de teologia, Ratzinger já contribuía para a Igreja Católica como perito do Concílio Vaticano II, entre 1962 e 1965. Ele também foi consultor teológico do Cardeal Joseph Frings, Arcebispo de Colónia. Por suas ideias era visto na época como um reformista. Com uma intensa atividade acadêmica e científica, o futuro Papa teve importantes cargos na Conferência Episcopal Alemã e na Comissão Teológica Internacional.
Em 25 de Março de 1977, ele foi nomeado Arcebispo de Munique e Freising pelo Papa Paulo VI. Recebeu a sagração episcopal em 28 de maio de 1978, e se tornou o primeiro sacerdote diocesano a assumir o governo pastoral da arquidiocese bávara em 80 anos.
Seu lema episcopal foi “Colaborador da Verdade”. Em 27 de junho do mesmo ano, se tornou cardeal. Em agosto de 1978, participou do conclave que elegeu João Paulo I como o novo Papa. Ele também participou, em outubro do mesmo ano do conclave que elegeu João Paulo II, após a morte repentina de João Paulo I.
O novo Papa o ordenou Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé – órgão que substituiu o tribunal da Inquisição, e do qual foi guardião por 23 anos - e Presidente da Pontifícia Comissão Bíblica e da Comissão Teológica Internacional em 1981. Em 1982, Ratzinger renunciou ao governo pastoral da arquidiocese de Munique.Por seis anos, Velletri-Segni foi presidente da comissão encarregada de preparar o Catecismo da Igreja Católica, apresentando o novo Catecismo a João Paulo II em 1992.
Em 1998, foi eleito vice-decano do Colégio Cardinalício. Em 2002, se tornou membro honorário da Academia Pontifícia das Ciências. Em 2002, sua eleição para Decano foi aprovada.
 
Eleição
Após a morte de João Paulo II em 2 de abril de 2005, o Colégio de Cardeais se reuniu em um conclave para eleger o novo Papa. Cardeais de todo o mundo foram a Roma para a reunião, que começou no dia 18 de abril. No dia 19 Ratzinger foi anunciado como o novo Papa.
Durante o conclave, os cardeais ficaram dentro do Vaticano e não puderam ter acesso ao telefone, rádio ou à televisão. Na época, havia 117 cardeais com menos de 80 anos, autorizados a votar no novo Papa. Dois foram ausentes, e 115 participaram do conclave.
Foram necessárias quatro votações para que um único nome recebesse mais de dois terços dos votos. Na noite do dia 18, após uma primeira votação, a chaminé da Capela Sistina soltou uma fumaça preta, indicando que não houve um consenso sobre o nome do novo Papa.
Na Praça São Pedro, fiéis não conseguiram identificar a cor da fumaça, e chegaram a achar que ela era branca, o que representaria a escolha do Papa. Na manhã do dia 19, os cardeais fizeram duas novas votações a portas fechadas, e novamente a fumaça preta saiu da chaminé da Capela.
Apenas no fim da tarde do dia 19, após um a quarta votação, a chaminé soltou uma fumaça branca, indicando que o Papa havia sido escolhido. Novamente, houve uma confusão, e a cor da fumaça não foi identificada prontamente. Pouco depois, os sinos do Vaticano soaram, confirmando uma resolução.
Depois de 45 minutos, o nome de Ratzinger foi anunciado, e ele apareceu na varanda da Basílica de São Pedro, de onde fez o seguinte pronunciamento:
“Amados Irmãos e Irmãs,
Depois do grande Papa João Paulo II, os Senhores Cardeais elegeram-me, simples e humilde trabalhador na vinha do Senhor.
Consola-me saber que o Senhor sabe trabalhar e agir também com instrumentos insuficientes. E, sobretudo, recomendo-me às vossas orações.
Na alegria do Senhor Ressuscitado, confiantes na sua ajuda permanente, vamos em frente. O Senhor ajudar-nos-á. Maria, sua Mãe Santíssima, está conosco. Obrigado!” papa bento xvi
Ratzinger optou por adotar o nome papal de Benedicto XVI – traduzido em português para Bento XVI. Bento XVI foi formalmente instalado como Papa em 24 de abril de 2005, com uma grande missa celebrada na Praça São Pedro. Durante seu discurso, o Papa chamou pelos judeus e pediu uma maior união entre todas as doutrinas cristãs. A missa, realizada a céu aberto, reuniu líderes de estado de todo o mundo e cerca de 500 mil católicos.
O novo Papa disse que seu principal papel era o de apresentar um programa de governança para a Igreja e perseguir suas próprias ideias, ouvindo a voz de Deus e sendo guiado por ela.
Papado
Conhecido por suas visões rígidas sobre os dogmas do Catolicismo, Bento XVI buscou uma imagem de um Papa mais inclusivo.
Desde o início de sua trajetória na Igreja Católica, ele se posicionou contra a homossexualidade e a adoção de crianças por casais do mesmo sexo, o que se manteve durante seu papado. As declarações mais fortes sobre o assunto foram dadas no início de 2012, quando o Papa afirmou que o casamento homossexual é uma das várias ameaças atuais à família tradicional, pondo em xeque "o próprio futuro da humanidade".
Em dezembro de 2012, ele afirmou que o aborto, o casamento gay e a eutanásia colocam em perigo a paz.
Ainda em 2005, ele aprovou um documento proibindo a admissão de homossexuais em seminários. Em 2007, participando de uma conferência internacional da Pastoral da Saúde, ele reiterou sua posição contra a eutanásia. Em 2008, o pontífice ressaltou sua posição contra o aborto, os métodos contraceptivos e os métodos artificiais de fertilização.
Apesar das posições conservadoras, Bento XVI tentou se aproximar das outras religiões, realizando encontros com líderes de outras religiões e tentando buscar pontos em comum entre as doutrinas.
Mesmo assim, causou desconfortos ao, em 2006, falar sobre a posição do imperador bizantino Manuel II Paleólogo sobre os laços entre o Islã e a violência, irritando muçulmanos. Em 2007, ele disse que a Igreja Católica é a “única verdadeira” e a “única que salva”, irritando os protestantes.
Em março de 2009, a caminho da África, o Papa declarou que não se podia "resolver o problema da Aids com a distribuição de preservativos". "Ao contrário, isso agrava o problema". Houve uma repercussão muito negativa de políticos e associações civis.
 O levantamento da excomunhão de quatro bispos fundamentalistas, entre eles o negacionista Richard Williamson, foi motivo de uma grande controvérsia, em janeiro de 2009. A decisão de retomar o processo de beatificação de Pio XII, acusado de ter guardado silêncio durante o Holocausto, também não ajudou a aumentar sua popularidade.
O Papa também se envolveu em algumas polêmicas políticas. Em 2009, o cardeal Raffaele Martino causou polêmica ao dizer que Israel havia transformado a Faixa de Gaza em um campo de concentração. O governo de Israel se irritou com o posicionamento.
Durante seu pontificado, Bento XVI nomeou 90 novos cardeais, em cinco consistórios até 2012.
 
 
Atentados
O Papa sofreu dois grandes incidentes que lhe causaram algum risco. Em 2007, um alemão conseguiu ultrapassar o bloqueio de segurança na Praça São Pedro, saltando sobre uma barricada para tentar entrar no veículo que transportava o Papa. Bento XVI circulava entre os fiéis.
Os guardas de segurança que acompanham a pé o Pontífice durante o percurso foram imediatamente até o homem, impedindo que entrasse no veículo, ao qual tinha se agarrado, e o imobilizaram no chão. O Papa não percebeu a confusão.
O homem foi levado para um centro médico, interrogado pela segurança do Vaticano e depois entregue à polícia.
 Em 2009, uma mulher identificada como Susanna Maiolo, de 25 anos, ultrapassou a segurança na Basílica de São Pedro e puxou o Papa, derrubando-o ao chão, durante a Missa do Galo.
Na confusão, também caiu no chão o cardeal francês Roger Etchegaray, de 87 anos. Ele quebrou uma parte do fêmur e precisou passar por uma cirurgia.
 O Papa caiu rapidamente, mas foi auxiliado e se levantou logo em seguida. Bento XVI não teve ferimentos sérios e continuou a celebração após o susto. A mulher foi detida e encaminhada a um hospital, onde foi internada na ala psiquiátrica.
Um ano antes, em 2008, a mesma mulher havia tentado ultrapassar as barreiras de segurança, mas foi detida antes de chegar ao Papa.
Visita ao Brasil
Bento XVI visitou o Brasil em maio de 2007, entre os dias 9 e 13, para dar início à 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe, em Aparecida, no interior de São Paulo. Foi nesta ocasião que Frei Galvão foi canonizado, tornando-se Santo Antônio de Sant’Anna Galvão, o primeiro santo nascido no Brasil.

“Devemos confiar no poder da misericórdia de Deus.
Somos todos pecadores, mas Sua graça nos transforma e renova”.
Bento XVI

domingo, 22 de abril de 2012

Papa Bento XVI- um homem de fé




O Papa Bento XVI completou 85 anos, nesta segunda-feira, 16, dos quais sete são dedicados à cátedra de Pedro até o presente momento.

O alemão tímido que da sacada principal da Basílica de São Pedro se dirigiu ao mundo em seu primeiro pronunciamento como Papa, com a surpreendente expressão: “Sou um humilde servo na vinha do Senhor”, já conquistou o mundo através de seus discursos dotados de precisão, profundidade e espiritualidade. De fato, uma marca deste pontificado é a ‘simplificação da teologia’, ao passo que cada cristão é capaz de compreender verdades profundas através de palavras simples.

“Da coerência e da constância de seus ensinamentos, aprendemos sobretudo que a prioridade de seu serviço à Igreja e à humanidade é orientar nossas vidas a Deus”, disse o porta-voz do Vaticano, Padre Federico Lombardi.

O Papa, as pessoas e algumas curiosidades

Todas as manhãs, logo cedo, Bento XVI inicia suas atividades com a celebração da Santa Missa. Entre os muros do Palácio Apostólico, um Papa que faz suas orações cotidianas sem se esquecer, todavia, das intenções dos fiéis que lhe enviam pedidos de oração. De acordo com um de seus secretários particulares, a sensibilidade do Pontífice diante do sofrimento humano é tamanha, que todas as intenções de oração a ele confiadas pelos fiéis são depositadas no genuflexório onde ele reza todas as manhãs. Ainda como forma de atenção às pessoas, ele repassa, a cada terça-feira, com um gravador na mão, um dia antes da catequese, todas as saudações em várias línguas, as quais ele profere na Praça de São Pedro no dia seguinte. Um Papa que gosta de gatos, de música e que se considera um ‘mendigo diante de Deus’, quando reza: esta é a personalidade de Bento XVI caracterizada pela simplicidade, coerência, gentileza e determinação.

“Desde o início meu irmão sempre foi para mim não somente um companheiro, mas também uma direção confiável. Foi para mim um ponto de orientação e referência com a clareza e a determinação nas suas decisões. Ele me mostrou o caminho a seguir, mesmo em situações difíceis”, disse monsenhor Georg Ratzinger, irmão do Papa, em entrevista ao jornal italiano Il Giornale.

O Papa e os desafios do Pontificado


Bento XVI, cujo nome de batismo é Joseph Ratzinger, jamais imaginou que chegaria à Sé de Pedro. No livro-entrevista “Luz do Mundo”, no qual ele responde a várias perguntas do jornalista alemão Peter Seewald, ele confessa que teve medo após o término do Conclave e não se sentia capaz de assumir a função de Sucessor de Pedro. Mesmo diante da insegurança inicial, Bento XVI trouxe a força de sua personalidade para o Pontificado: com determinação, assumiu como meta combater o relativismo e levar os católicos às bases da fé.

“Com Bento XVI aprendemos que a fé e a razão se ajudam mutuamente na busca da verdade e respondem às expectativas e dúvidas de cada um de nós e de toda a humanidade; que a indiferença a Deus e o relativismo são riscos gravíssimos de nossos tempos”, afirmou Padre Lombardi.


O Papa na ótica do Brasil
Os cardeais brasileiros criados nos últimos três Consistórios convocados por ele (ao todo foram quatro) também se surpreendem com a personalidade do Santo Padre. Dom Odilo Pedro Sherer, cardeal arcebispo de São Paulo, expressa quem é a pessoa Bento XVI a partir de sua experiência pessoal.
"É um homem simples, muito educado, cordial, respeitoso, atento às pessoas, alguém preocupado com quem esta com ele à sua frente. Vejo o Papa como um homem simples, humilde, sábio, um homem de Deus", enfatizou.



Fonte: (Canção Nova.com)